quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

POESIA DA MATEMÁTICA

Nas páginas do livro de matemática

um quociente apaixonou-se, doidamente, por uma incógnita.

Olhou-a com seu olhar enumerável

e viu-a do ápice à base uma figura ímpar:

Olhos rombóides, boca trapezóide,

seios esferóides, corpo retangular.

Fizeram suas vidas paralelas,

até que se encontraram no infinito.

“Quem és tú”, perguntou ele numa ânsia radical.

“Eu sou a soma do quadrado dos catetos,

mas pode me chamar de hipotenusa”.

E falando descobriram que eram primos entre si.

Mesmo assim se amaram, ao quadrado da velocidade da luz,

numa sexta potenciação, trocando ao sabor do momento e da paixão,

retas, curvas e linhas senoidais, nos jardins da quarta dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas enclidianas e os

exegetas do universo finito. Romperam convenções newtonianas e

pitagóricas. Enfim resolveram se casar, constituir um lar,

mais que um lar, uma perpendicular. E fizeram planos e equações

para o futuro, sonhando com a felicidade diferencial, mas integral.

Casaram e tiveram filhos. Dois cones e uma secante, muito engraçadinhos.

E foram felizes até o dia em que tudo virou monotonia.

Foi aí que surgiu o máximo divisor comum, freqüentador de círculos

viciosos e concêntricos. Ofereceu a ela uma grandeza absoluta,

reduzindo-a a um denominador comum. Ele, quociente, percebeu que

com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era um triângulo

chamado amoroso, do qual ela era a fração mais ordinária.

Mas foi aí que Einstein descobriu a relatividade.

E tudo que era espúrio, virou moralidade,

como é, aliás, em qualquer sociedade.